Pubs, fish and chips

Pubs, fish and chips
“I am lonely in London without fear”.

Para terminar meus posts sobre meu pit stop em Londres em setembro (2013), não podia deixar de falar sobre os pubs londrinos. Não sou de beber muito, gosto de um bom vinho; as cervejas, em geral, despertam minha enxaqueca crônica rapidinho, só a boa “Original” não deixa isso acontecer.
Mas os pubs londrinos não servem só para quem gosta de uma pint de cerveja, mas para quem quer almoçar, jantar, tomar um lanche, uma taça de vinho, fazer uma boa parada depois de um dia longo de sightseeing e até para tomar um bom café-da-manhã depois de um voo de 12 horas São Paulo-Londres.
Foi o que aconteceu comigo na minha chegada em Londres. Cheguei no hotel por volta das 9h da manhã e, logicamente, o check-in só era às 14h. Dei uma choradinha e o gerente (indiano, of course), ao ver meu cansaço, disse que ia tentar liberar o quarto até meio-dia, mas enquanto isso, eu podia/devia deixar as bagagens e dar uma volta.
A região de Paddignton está repleta de pubs e cafés, quase todos abrem depois das 9h/10h e foi em um desses que parei para tomar um bom café, provar um toast com presunto parma e coisas do gênero. A ideia era que tudo fosse lento, meu corpo e minha cabeça só queriam uma boa cama e nenhuma emoção por umas boas horas.
Foi também em um desses pubs da região que fiz minha última refeição da viagem: o tradicional “fish na chips”!
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No meu segundo dia em Londres, fui fazer uma longa caminhada ao longo do Rio Tâmisa e não resisti, tirei mais fotos de pubs lindinhos e de uma região que ferve no final da tarde e à noite: Gabriel´s Wharf. Cheguei ainda cedo lá, mas foi bom para ver o lugar sendo preparado para o agito.
À noite, fui a um show de jazz no Café in the Crypt (dentro da igreja Saint Martin-in-the-Fields). Depois voltei lá para almoçar com uma amiga, mas o menu da noite era bem mais interessante.
Saudades de andar, parar, comer e vagar por Londres!
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Só para terminar “mesmo”, hoje já não curto Caetano Veloso como antes, mas a letra e melodia de “London, London” não poderiam ser mais fieis à capital britânica.

London, London (Caetano Veloso)
I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round, nowhere to go
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it’s so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it’s ok
Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say
While my eyes go looking for flying saucers in the sky

Taste of London: Fifteen, Jamie Oliver

Taste of London: Fifteen, Jamie Oliver
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Como amo programas sobre gastronomia e acho bem bacana os projetos e trabalhos do Jamie Oliver, fiz uma reserva pelo site lastminute para almoçar no Fifteen, primeiro restaurante do chefe inglês. Na verdade, podemos chamar de restaurante-escola.
Tudo começou em 2002, ele recrutou e treinou quinze jovens desempregados e com histórias de vidas nada comuns, todos participaram da escola de Jamie e se tornaram chefs e funcionários do “Fifteen”.
O projeto deu certo e há dez anos o restaurante só trabalha no esquema de escola, conheci um jovem garçom brasileiro que ama o lugar e vários outros funcionários de diversos países. A comida é bem gostosa, o ambiente é leve e me pareceu que a maioria dos frequentadores é formada pelos londrinos, mas talvez tenha sido uma coincidência daquela quarta-feira de verão ameno.
E o Jamie? Ahhh, ele não estava, imagino que pouco fica por lá, mas o sócio Jon Rotheram estava fazendo social com vários clientes e pegando firme na cozinha. Havia uma equipe de documentaristas por lá também, tudo é paradoxalmente agitado e organizado, coisa de britânicos.
Atendimento impecável, quando li no cardápio que uma das entradas continha “fennel”, chamei um garçom inglês para me explicar o que era; ele não sabia comparar com nada que eu conhecia, perguntou minha nacionalidade e na hora chamou o Diego, garçom conterrâneo. O Diego também não sabia traduzir fennel, depois de consultas com os italianos e outro chef brasileiro, finalmente, chegamos à erva-doce. Enfim, tudo delicioso.
O bacana é que tudo o que pagamos é investido na escola de futuros chefs, não é balela, a coisa funciona mesmo!
Fifteen, I´ll be back soon!

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Taste of London (Parte 1)

 Não podia fechar 2013 sem meus posts gastronômicos sobre minhas curtas férias em Londres e em algumas cidades da Croácia.

Foram férias inesperadas, tiradas em setembro devido à greve de alunos na UNESP. Vi que meus planos de relaxar janeiro inteiro nos States tinham ido por água abaixo e resolvi fazer do limão uma lemonade.

Na bagagem, casaco e sombrinha para o final do verão em Londres; biquíni para curtir o Mar Adriático. Nunca acertei tanto em uma mala, usei tudo, absolutamente tudo: de bota a protetor solar!

Voltando à gastronomia, passei quatro dias em Londres para matar rapidamente as saudades de lá, deu para comer bem, visitar cafés e restaurantes que não conhecia e rever outros cantinhos.

Na primeira noite estava completamente cansada devido à viagem e mudança de fuso, dei uma descansada no hotel e à noite parti para Piccadilly Circus, pit stop obrigatório de todos. Passei em uma livraria e entre uma andada e outra achei o Caffè Concerto, tudo o que precisava estava ali: uma taça de vinho, café e um doce bárbaro. Combina? Não sei, estava tudo divino.

 

 

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No dia seguinte, fui ao Fifteen (vale um post separado) e sem querer no caminho de volta, ao descer na estação London Bridge, cheguei na Borough Market, uma delícia de feira.  As cores dos tomates, o cheirinho dos pães e os formatos dos cogumelos me encantaram. Lógico que parei na barraca de brownie e fiz a festa. Aproveitei para comprar mostarda e alguns temperinhos.

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Pirajá: Uma Esquina Carioca

Comprei o livro em maio, aqui em Bauru mesmo e estou curtindo aos poucos e adorando.

O cantor carioca Moacyr Luz narra de forma bem-humorada a história do Bar Pirajá ( http://www.piraja.com.br/): o bar paulistano com alma carioca!

As fotografias (Romulo Fialdini) são lindas e encontramos ao longo do livro várias dicas gastronômicas e musicais. O livro também apresenta as chamadas “intervenções” de Ruy Castro. Pronto, cardápio completo:  petiscos maravilhosos, boas histórias e imagens originais.

Pirajá: uma esquina carioca

Editora DBA- SP, 2010

Resenha “Comida e Bebida”

Voltei depois de um mês de março bem tumultuado….

Seguem alguns comentários meus sobre um livro ótimo que estou degustando desde janeiro.

 

Comida e Bebida (Contos, crônicas, poemas, receitas, palavras cruzadas, fotos e canções!) Vários Autores. Publifolha, 2009

A obra toda é bem elaborada e, para minha surpresa, acabo de descobrir exatamente agora na folha de rosto que o editor é Arthur Nestrovski. 

Danadinho, bem que eu desconfiei da escolha crônica-musical-fotográfica do livro…Explico: Arthur foi meu orientador de doutorado na PUC/SP. Várias são suas especialidades: teoria literária, crítica & produção musical, crônicas, literatura infantil, ufa, ufa, ah, excelente conferencista. Tinha mesmo que sair da PUC; azar dela e sorte da arte paulistana.

Chega de tecer elogios, nem fica bem para quem sofreu tanto como sua orientanda rs rs.

Voltemos ao livro. Em cada capítulo de Comida e Bebida temos uma gostosura, seja literária, musical ou gastronômica. Uma bela mistura que não nos cansa jamais.

Adoro Fernanda Takai, sua delicadeza, voz tímida e afinadinha e seu bom gosto para roupas delicadamente excêntricas (será que isso existe?). Pois é, lá está a Takai com duas crônicas ficcionais e uma autoral. Adorei quando ela se vinga de seu irmão mais novo na crônica “O desafio dos chefes”, muito engraçadinha essa oriental!

Vários capítulos foram bem refogados pela Nina Horta. Adorei em especial  “A comida como ela é”, nada como ler a bela e simples definição de comida vinda de uma chef tão competente: “Comida boa é aquela que aceitamos com naturalidade, que cozinhamos com a cabeça livre de preconceitos e de vergonhas”.

Adorei também seu bom humor na crônica “Hitlacoche vale uma deliciosa cantada”.

Conheci o colunista de vinhos Jorge Lucki e anotei cada dica dele. Tenho tentado aprender aos poucos sobre vinhos, já fiz minicursos, degustações, mas me sinto uma pré-adolescente ainda nessa área.   

As receitas me despertaram uma curiosidade tremenda, mas ainda não tive tempo de tentar nenhuma (que venha logo o próximo feriado!).

E as fotos? Lindas!

Quanto às músicas, eu já era fã de Zé Miguel Wisnik, mas a gravação que Elza Soares fez de sua composição de “Comida e Bebida” é digna de ser acompanhada de um bom vinho francês!

Só para acabar: ainda estou me debatendo para resolver as palavras cruzadas, se demorar muito para decifrar tudo, vou acabar colando, posso Arthur?

Recomendo a todos!   

Lucinéa Villela